Como baleias e golfinhos reagem ao ruído de pesquisas sísmicas

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Um novo estudo publicado por membros do ECoMAR e colaboradores acaba de ser publicado e traz informações interessantes sobre como o ruído gerado pelas pesquisas sísmicas no oceano afeta a comunicação de baleias e golfinhos. A pesquisa observou duas espécies diferentes e descobriu que cada uma reage de um jeito próprio a esse tipo de perturbação sonora.

O que a pesquisa descobriu?

Foi investigado como os pulsos sonoros dos airguns (equipamentos usados em pesquisas sísmicas para exploração de petróleo e gás) interferem na comunicação de duas espécies: a baleia-jubarte e o golfinho-pintado-pantropical.

Os resultados mostram comportamentos bem diferentes. As baleias-jubarte reagiram ao ruído reduzindo a frequência e a duração dos seus chamados. Já os golfinhos-pintados-pantropicais fizeram o contrário: aumentaram tanto a frequência quanto a duração de suas vocalizações.

O estudo também identificou que cada espécie tem suas limitações na hora de ajustar os sons que produz. As baleias tiveram dificuldade em modular suas vocalizações nas frequências extremas, enquanto os golfinhos encontraram mais restrições nas frequências baixas. Essas limitações parecem estar ligadas às características fisiológicas de cada espécie.

Por que isso é importante?

Este é o primeiro estudo brasileiro a avaliar especificamente como o ruído das pesquisas sísmicas impacta a comunicação dos cetáceos. Além disso, é o primeiro trabalho no mundo a investigar esses efeitos no golfinho-pintado-pantropical.

Como esses animais dependem da comunicação acústica para praticamente tudo, desde encontrar alimento até se relacionar com outros indivíduos do grupo, entender como o ruído humano interfere nessa comunicação é fundamental para pensar em formas de proteção mais eficazes.

Quer saber mais?

O artigo está disponível e faz parte de uma edição especial sobre predadores marinhos. Se você se interessa pelo tema ou trabalha com conservação marinha, vale a pena conferir os detalhes completos da pesquisa.

Acesse o estudo aqui: https://www.mdpi.com/2077-1312/14/2/181

 

 

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