As áreas marinhas protegidas e a conservação de baleias e golfinhos no Brasil

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Acaba de ser publicado mais um artigo: “Marine protected areas miss key habitats of Bryde’s whales and bottlenose dolphins exposed to anthropogenic stressors”, indexado no periódico científico Marine Pollution Bulletin.

Este estudo, liderado por Guilherme Maricato e desenvolvido por nossa equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (ECoMAR/UFRJ), em colaboração com instituições de conservação nacionais e internacionais, investigou como as áreas marinhas protegidas brasileiras (AMPs) estão (ou não) protegendo habitats críticos para duas espécies emblemáticas: a baleia-de-bryde (Balaenoptera brydei) e o golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus).

Principais contribuições do estudo:

 Modelagem de Habitat:

Utilizamos modelos de distribuição de espécies (SDM) para identificar as áreas mais adequadas para essas espécies ao longo da costa brasileira.

Descobrimos que o sudeste do Brasil, uma região com alta produtividade marinha, abriga os melhores habitats para ambas as espécies, mas também é a área com maior pressão antropogênica (tráfego de embarcações, exploração de petróleo e gás, pesca e poluição).

 Sobreposição com AMPs:  

  •  Apesar do Sudeste concentrar as AMPs mais robustas, muitas são costeiras e não protegem zonas oceânicas, onde os impactos humanos são intensos.
  •  As grandes AMPs oceânicas do Brasil, embora extensas, estão localizadas em áreas de baixa adequabilidade para essas espécies, limitando sua eficácia na conservação.

Exposição a impactos antropogênicos:

  •  Desenvolvemos um índice de exposição que integra:
  •  Adequabilidade de habitat
  •  Estressores cumulativos (portos, tráfego de navios, blocos de exploração de petróleo)
  •  Categoria de proteção das AMPs
  •  Os resultados mostram que baleias e golfinhos estão altamente expostos a ameaças no Sudeste, especialmente em zonas oceânicas próximas às bacias de Campos e Santos.

 

 Recomendações para Conservação:

  •  Ampliar a proteção em áreas oceânicas com alta adequabilidade para essas espécies.
  •  Implementar medidas de mitigação, como redução da velocidade de embarcações e zonas de exclusão de pesca.
  • Fortalecer a gestão das AMPs existentes, garantindo que cumpram seus objetivos de conservação.

 

Por que isso importa?

Baleias e golfinhos desempenham papéis ecológicos cruciais, como fertilização dos oceanos e sequestro de carbono. Sua conservação beneficia todo o ecossistema marinho. No entanto, a crescente pressão humana no sudeste do Brasil exige ações urgentes para evitar conflitos entre desenvolvimento econômico e biodiversidade.

Agradecemos a todos os colaboradores e instituições que tornaram este trabalho possível.

 

🔗 Leia o artigo completo aqui: doi.org/10.1016/j.marpolbul.2025.118265

 

 

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